E lá se vão quase seis meses.
Quase seis meses de intercâmbio.

Quase seis meses de encontros e despedidas. 

É uma experiência louca essa de sair do conforto da vida cotidiana para mergulhar num outro país, com outra cultura, para aprender uma nova língua. 

Nesse tempo aqui conheci pessoas de muitos lugares. 

Descobri que as novelas brasileiras fazem sucesso no Cazaquistão e eles sabem mais nomes de atrizes brasileiras do que eu.

Que a Finlândia não é tão fria como imaginamos.

Que os asiáticos não conseguem pronunciar o “erre” mesmo (vide: pastel de flango). 

Que os turcos, no geral, são bonitos e simpáticos, mas não são muito afeitos a tomarem banho e os homens turcos são extremamente possessivos. 

Que os italianos são os mais calorosos, se compararmos com os gélidos europeus. 

Que os malteses são rudes e, ao mesmo tempo, são doces.

E que nós latino-americanos, independente do país, somos parecidos. E isso nos atrai e nos conforta.

Tudo aqui ganha outra proporção. Somos estudantes livres e podemos fazer qualquer coisa que quisermos. Ninguém nos conhece. Podemos assumir a personalidade que quisermos e fazer coisas que normalmente não faríamos simplesmente por não ter ninguém aqui que saiba que não faríamos.

Intenso. 

Acho que esse é um dos meus vícios. Não consigo viver “acomodada”. Preciso estar sempre vivendo algo intenso, vibrante, que me desafie e me provoque medo.

E eu adoro.

Mas aqui, entre as muitas coisas que estou aprendendo, tive que apreender a me despedir. 

Eu sou boa em despedidas, pois estou sempre “indo”. 

Há muito tempo me disseram:

“Você passa pelas pessoas, eu fico. Você vai acabar passando por mim também.”

Há pouco tempo me disseram:

“You should stay in Malta, it’s nice.”

“I like Malta, but it’s time to move on.”  

“Always moving.”

 “Only when I don’t have anything to hold me”

Mas aqui tive que aprender um outro tipo de despedida. Aquela em que as pessoas vão e eu fico. 

E já se foram muitas pessoas.

Pessoas com que morei um tempo logo no começo, pessoas com quem eu saía para conhecer a ilha, pessoas com que passei horas sentada conversando sobre a vida, o Universo e tudo o mais enquanto bebíamos uma garrafa de vinho e víamos o pôr-do-sol. 

  

Depois de várias dessas despedidas é de se imaginar que as coisas fiquem mais fáceis, mas não… Só piora… Os laços aumentam, o carinho, a importância… 

Nesses últimas semana, dei adeus para muitas pessoas importantes na minha passagem aqui.  

Meu casal predileto. A pessoa mais iluminada que conheci aqui (e que gostaria de ter passado muito mais tempo junto). Minha primeira hermana nessa ilha de Lost.

  
E com essas partidas sinto como se tivesse fechado um ciclo.

No caminho para o aeroporto e no último adeus à minha querida hermana, tive certeza disso.

Aprendi a amar essa ilha e todas as experiências que estou tendo serão importantíssimas por toda a minha vida. Mais do que somente aprender o inglês.

Mas minha passagem por Malta está encerrada.

Fiz tudo o que tinha para fazer aqui.

Agora, é tempo de ir.

Sei que irei voltar um dia, mas o próximo destino já me puxa pela mão…

  

Um pensamento sobre “

  1. Arrepiada da cabeça aos pés… consigo viver td que está sentindo em cada palavra.
    A verdade é que sempre vai ser assim, não importa aonde for. Pq vc é agregadora de pessoas incríveis… e nesse caminho as pessoas e nós não só passam… levam algo de nós e nos deixam algo! It’s amazing!

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