Quem me conhece sabe que eu não sou o tipo de pessoa boa para morar com outras pessoas.
Mesmo em família é complicado, tanto que saí de casa aos 21 anos. 
E fui morar sozinha. 

Não dividi apartamento, não morei com namorado, nada. Comprei um apartamento no centro de São Paulo e fui viver só.

E gostei. E assim tem sido nos últimos anos.

Meu espaço, minha liberdade, minhas regras, minhas manias.

Quando resolvi fazer o mochilão, sabia que dificilmente eu teria um lugar só para mim. 

Chegando em Malta, fiquei num flat da escola, num quarto com mais duas garotas, em uma casa de 9 pessoas.

Fiquei um mês e foi o suficiente para eu ver o quanto é preciso ser tolerante e paciente quando se mora com outras pessoas.  

Questões como limpeza, organização, horários, etc, tem que ser discutidos e acordados.

E as diferenças culturais e manias geram diversos problemas. 

Conforme foi se aproximando da data que eu teria que deixar o flat da escola, comecei a me perguntar se realmente deveria dividir com alguém ou morar sozinha. 

Achei um flat minúsculo e, por isso, barato para caso eu resolvesse ficar sozinha.

Mas aí, uma amiga me apresentou para uma brasileira que estava procurando um lugar para ficar e tendo a visto somente umas duas vezes, resolvi arriscar e topei dividir o flat com ela.

E o que poderia ser uma enorme furada, se revelou uma grata surpresa.

Porque essa carioca marrenta é das minhas. 

Ela acorda mal-humorada e não faz nenhuma questão de conversar pela manhã. 

Ela troca o dia pela noite, sendo capaz de ir dormir às 4h da manhã se puder acordar às 3h da tarde. 

Ela é do “vamos”. Para ela não tem tempo ruim para um programa e, se o programa for furada, tem a leveza de rir disso 

Ela é uma profissional capaz de aprender rápido e não tem medo de pegar no pesado. 

Ela, com toda sua cara de boa moça, é ótima falando besteiras madrugada à dentro. 

Ela é madura e, sendo madura, sabe que não há nenhum problema em brincar como um moleque para aliviar a tensão e que rir de nós mesmo nos faz mais humildes.

Ela é uma companheira para todas as horas.  

Todas mesmo.

Ela estuda na mesma sala que eu, trabalha no mesmo lugar, dorme no mesmo quarto, vai à “caça” comigo. 

Acho que passei mais tempo com ela nesses últimos dois meses do que com minha família no último ano todo. 

E a gente se dá bem. 

Ela é um dos presentes que a vida nos dá quando resolvemos sair da zona de conforto e arriscar por aí. 

E essa carioca folgada é presente da melhor categoria.

Ela é mais uma irmã de alma.

Ela entrou para o seleto grupo de amigos que sou capaz de ajudar a esconder um corpo, se necessário.  

E não importa o tempo e/ou a distância. Aqui em Malta, no Rio, em São Paulo, em Londres, na Nova Zelândia ou no inferno, ela sempre vai poder contar comigo. 

Ela se tornou parte importantíssima dessa minha jornada, pois me mostrou que eu posso sim aprender a conviver com outras pessoas, é só ter a sorte de escolher companheiros tão bons quanto ela. 

   
   

Obrigada por tudo, irmãzinha!!!

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