E lá se vão mais de 3 meses fora. 

Para ser exata, hoje faz 102 dias que sai do Brasil.

É muito tempo e, ao mesmo tempo, não é nada.

O que você fez nos últimos 90 dias? 

Quem foi você nos últimos 3 meses? 

Eu esperei e no dia 27/03 eu parti. 

Data certa, data marcada.

Parti para o nada, para o desconhecido, para as novas experiências e novas oportunidades.

E comecei apavorada. 

Com medo do que estaria por vir, com medo de quem eu era e com medo de quem eu poderia me tornar.

E comecei como peregrina.

O que é ser peregrina?

  
Ainda não sei o que é ser, mas sei que eu fui.

Sei que abandonei qualquer idéia de conforto, que abandonei vaidades, que abandonei quase tudo o que eu era para poder ser somente alguém que anda e anda e anda.

Abandonei tudo para ser alguém com um destino em mente, mas sem muitos planos e/ou rotas pré-definidas, vivendo um dia após o outro sem pressa.

Alguém que despiu-se de todas as máscaras, de todas as meias verdades.

Alguém que aprendeu a viver com a dor, com o medo, com o desespero.

Alguém que entendeu que depois da chuva vem o sol e que ambos podem ser igualmente duros.

Alguém que chorou, sorriu, cantou sozinha, gargalhou para a imensidão do mundo, dançou na chuva e blasfemou contra o sol.

Alguém que, felizmente, acertou mais do que errou e que pensou em desistir, mas não desistiu.

Enfim, alguém que teve o prazer de viver uma experiência completamente fora da realidade.

E por me permitir ser esse alguém, aprendi mais do que poderia imaginar. Vivi tudo isso com uma intensidade incontrolável e insana.

E o que era para ser somente um “break” entre minha velha vida no Brasil e minha nova vida de mochileira tomou dimensões maiores.

Foi tão forte que cheguei em Malta ainda sensibilizada com tudo. Não tive tempo hábil de fechar a alma e colocar minhas máscaras.

E constatei novamente que isso não funciona comigo. Como tenho a mania de criar imagens e situações irreais na minha cabeça, preciso das minhas máscaras para me proteger mais de mim mesma que dos outros. 

Fragilizada pelo Camino, me acometi de danos imaginados.

Mas, como às vezes sou esperta, entendi o meu próprio recado, recoloquei a cabeça e tudo o mais em seus devidos lugares e entrei de vez na vida em Malta.

E, afinal, o que tem sido Malta?

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