Ali estava eu no terceiro dia em Pamplona, sentada no Café Iruña, onde dizem que Hemingway batia ponto e onde escreveu alguns de seus livros.

(“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos seus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.” 

Este trecho é de John Donne, mas o conheci através de Hemingway, portanto me é impossível dissociar) 

Será que algum terei algo ao menos publicado? Faz tempo que não tenho mais a ilusão de ser uma escritora, mas sonhar um pouquinho ainda é gratuito e não costuma fazer muito mal…

Enfim, neste dia fiz o trajeto entre Zubiri e Pamplona e encontrei a primeira conurbação do Camino (estão vendo como me lembro das minhas aulas de Geografia?!?!), quando se passa pelos pueblos de Trinidad de Arre, Burlada e Pamplona.

Pamplona é linda, com suas casas coloridas e ruas estreitas. Fico pensando como são as Corridas Del Toro por essas ruazinhas minúsculas!!!

Cheguei em Dia de Fiesta, dia santo, “Sexta-feira da Paixão” e a cidade estava lotada, tipo estância turística. 

É engraçado chegar carregando mochila, suja, trebada de cansaço e esbarrar em famílias reunidas, crianças brincando, tudo como num feriado comum. E eu já estava sem saber que dia do mês ou da semana era, só sabia que tinha que levantar no dia seguinte e andar, andar e andar.

Para mim andar é como meditar, pois tudo o que você é, o que viveu, quem quer ser e o por quê, passa pela sua cabeça. Porém também vão passando letras de músicas, trechos de livros, cenas de filmes. E também tem horas em que não se pensa em nada e somente reparamos depois de um tempo que nossa mente está completamente quieta.

Nesta noite havia sonhado com um filme, aí percebi que esse filme não existia e que poderia ser um roteiro. 

Uma prostituta engravida, tem a menina e quando a criança está com uns 6 meses a abandona perto de casa. Todos na vizinhança, que é tipo um cortiço, conhecem a criança e a entregam para avó cuidar. A menina cresce e vira prostituta sem saber que a mãe também era, pois disseram à menina que a mãe somente foi embora em busca de uma vida melhor. Um dia a avó recebe um recado dizendo que a mãe está voltando e a menina se desespera, pois não quer que a mãe saiba que é prostituta. Como o mundo é uma interminável roda-gigante, a menina também havia engravidado e abandonado a criança sem ninguém saber e o menino morava na rua, próximo ao cortiço. Ao saber que a mãe está voltando, tenta se aproximar do menino que abandonou, mesmo que o mantivesse “sob as vistas” o tempo todo.

E então eu acordei…
O filme tinha nome, mas não me lembro. 

Só sei que a atriz que fazia a “menina” era a Alessandra Negrini.

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