Bom… 

E vamos ao Camino de Santiago…
Nunca foi um sonho fazê-lo.

Quando minha mãe falava eu pensava “deve ser bacana, quem sabe um dia…!”.

De repente, não mais que de repente e sem saber o porquê, depois que minha licença estava concedida, resolvi fazer o tal Camino.

Quem me conhece sabe que não sou religiosa, que não espero ter nenhuma grande revelação.

Quis só usar o Camino para zerar o jogo e poder começar de novo. Para mim, andar é um exercício de meditação, então o que é melhor que 35 dias de peregrinação num canto maravilhoso de um país lindo como a Espanha para botar a cabeça em ordem?!

E como começa essa aventura?

Fui pra Madrid e de lá pode-se pegar um trem até Pamplona e de lá arrumar um taxi ou uma Van para te levar até Saint Jean Pied-de-Port na França, onde começa o Camino Francés.

Ou..

Ir de ônibus até Pamplona e de lá mais um ônibus até SJPP, que sai mais barato e no final das contas dá no mesmo, então esta foi minha escolha.

Chegando em SJPP a primeira coisa a se fazer é passar na Associação dos Amigos de Santiago para pegar a Credencial Del Peregrino. Como eu já tinha a Credencial (brasileira + sozinha + Espanha = toda a prevenção possível) só tinha que carimbar a minha e pegar as instruções.
Lá você ganha 3 “mapas”: um de como sair da cidade e ingressar de fato no Camino, um com as variações de altitude separadas por dia de caminhada e uma relação com os albergues, hostels e hotéis em cada cidade do Camino.
No meu caso, já me informaram que a subida pelos Pirineus estava fechada por causa da neve e que deveríamos ir por Valcarlos.

O que foi uma pena, mas fazer o quê?!

O albergue municipal é tranquilo, grande, com um chuveiro relativamente morno e já se entra no espírito de que a única coisa que se precisa é de uma cama para jogar o corpo.

Apesar do pavor que estava, consegui dormir bem e acordei conformada.
As 7h30 já tinha tomado café e estava saindo quando, meio por acaso, resolvi seguir caminho com Felicitas, uma alemã de 21 anos que também estava começando o Camino sozinha e que é um doce de pessoa.

Camino Angel.

E fomos indo. Fizemos bem as primeiras 4 horas, mas quando faltava pouco menos de 5 km eu já estava destruída. São 5 km de uma subida infernal que me fez ter certeza que a morte era bem mais tranqüila e menos cansativa.
Fui subindo, de pouco em pouco, pensando que eu era uma idiota por ser uma sedentária querendo andar 800 km.

Chegar em Roncesvalles eqüivale a chegar ao paraíso. Quando se vê a imensa construção que é o albergue, depois de 27 km, boa parte em aclive e já sem água é uma pequena sensação de vitória. 

O albergue é lindo, todo de pedra e anexo à Cathedral. No jantar, resolvi não tentar cozinhar e comer algo pronto. Da nada, umas mulheres passaram pela nossa mesa e nos deram salada, salsicha Viena, sopa e pãezinhos recém-feitos. Elas haviam jantado no “comedouro” e depois saíram oferecendo a todos. Não me pareceram peregrinas e não entendi muito bem o que aconteceu, mas foi ótimo. E se alguém souber o que isso significa, por favor, me contem.

As 20h é hora da Missa aos Peregrinos. Sabem que não sou a maior fã de igrejas, imagina em hora de missa, mas quem está na chuva é para se molhar. E olha, foi até divertida com o padre fazendo a benção no idioma de cada um dos peregrinos presentes, inclusive coreano (que tinha em pencas). 
Pois é, a moda agora é padre poliglota.



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