And then…

Eu conheci essas duas pessoas incríveis. Não sei bem como foi…

Estava andando com uma amiga e conheci algumas pessoas que fizeram a Apalache Trail. Achei que uma das garotas que estavam à minha frente havia feito também. Estava errada, era só mais um grupo que se juntava sabe se lá o porquê.

Andei parte do dia junto, parte separada.

Ao fim do dia, estávamos no mesmo albergue, eu passei e eles me chamaram para tomar um drink.

Saibam, eu nunca recuso um convite para um drink.

Dia seguinte, os encontrei novamente.

Mais um dia, mais encontros durante o dia e, neste dia, eu fiquei.

Fiquei porque eu queria ver. 

Queria respostas.

Queria ver como uma paixão se formava.

Como uma paixão se forma?

É o primeiro olhar?

É depois de umas palavras trocadas?

É andando em um lugar ermo e tendo a liberdade e o privilégio de se doar completamente ao primeiro desconhecido que aparecer?

E se esse primeiro desconhecido fosse na realidade o segundo? O primeiro seria o correto ou o que vem em seguida?

Será tudo isso junto e a ordem não importa?

Eu fui ficando e fui fugindo.

E quando ficava era parte disso e quando fugia eles me puxavam de volta.

Penso que minha missão é ser essa voyer sem intenção. 

Pois realmente não tenho a intenção de atrapalhar nada e no tempo juntos, sinto que não atrapalho, faço parte.

Afinal, sou a testemunha ocular de uma paixão em formação.

Pude ver as cantadas sem graça, as brincadeiras de duplo sentido, os pedidos de ajuda aos amigos, o constrangimento frente ao primeiro beijo escondido, o tesão fluindo quando é difícil ficar longe mesmo com mais 28 pessoas no mesmo quarto e, finalmente, a aceitação de que existe uma relação e de que são um casal. 

(Tá, já vi até a primeira DR)

Mas não sei que parte me cabe nisso.

Sei que me afasto, lhes dou privacidade e eles me puxam de volta.

Será uma “proteção” da intensidade que isso pode ter?

Mas eu adoro me sentir parte disso.

Adoro poder testemunhar isso.

Acho que eles ainda nem entenderam a força do sentimento que tem um pelo outro e o quanto isso irá influenciar o resto de suas vidas.

Mas isso não impede de eu me sentir uma voyer.

Não por eles me fazerem sentir invadindo, muito pelo contrário, me fazem sentir que realmente faço parte disso, dessa construção.

Mas será que devo realmente presenciar isso?

Será que faz bem para mim?

Será que não é íntimo demais?

Será que não estou sendo “usada” para refrear algo que viria ainda mais intenso se estivessem sozinhos?

Uma amiga disse para viver isso com olhos de cientista e coração de poeta, mas onde começa um e termina outro?

Em que momento tenho permissão para parar de achar lindo e achar meloso?

Qual o meio termo?

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