Acho que agora é bom começar pelo começo.

Sempre quis viajar. Desde pequenas minhas melhores lembranças são das viagens com minha mãe, meus avós, meus padrinhos.

Fui crescendo e essa vontade foi crescendo junto.

Mas sabe como é a falta de tempo, falta de companhia, falta de dinheiro…

Aos vinte e um anos eu era uma mulher independente, com um apartamento próprio e a vida razoavelmente bem resolvida, mas ainda faltava uma coisa: viajar.

Não consigo dar crédito para aquelas pessoas que quando você pergunta fala que adora viajar, mas quando questiona qual foi o último lugar em que esteve a resposta é a mesma “Ahh… Sabe como é, gosto de viajar, mas não vou muito…”.

E eu estava me tornando uma dessas pessoas.

Então comecei a ir aos fins de semana. Procurava uma passagem barata para daqui 4, 5 meses e ia. Não dava pra aproveitar muito, mas já podia sentir o gostinho. Desse jeito fui pra Belo Horizonte, Vitória, Recife, Buenos Aires, Salvador, Montevidéu, Florianópolis, lugares por aí, alguns por mais de uma vez.

O problema de não ter companhia descobri que não é um problema. Ir acompanhada é ótimo, mas ir sozinha te permite ser mais aberta, mais livre e, sinceramente, gosto o suficiente da minha companhia para me permitir ficar um tempo sozinha.

O dinheiro nunca foi muito, mas estava dando para o gasto.

Continuava faltando o tempo…

Em 2013 resolvi fazer meu primeiro mochilão nas férias: 30 dias pela gelada Patagônia Argentina e Chilena.

E foi sensacional!!!

Uma mistura de liberdade, curiosidade e autoconsciência que nem sei expor em palavras.

Mas isso não me satisfez…

Entendi o que significa “gostar de viajar” para mim era mais que passar dois ou três dias em cada cidade e pronto. Era mais do que ficar trinta dias de férias do trabalho e depois voltar para a rotina como se nada tivesse acontecido. 

Na verdade entendi que eu podia ser razoavelmente boa em algumas coisas, sou uma boa filha, uma boa profissional, uma boa estudante (quando quero). Infelizmente, admito, não sou uma boa namorada, mas fazer o quê, não é?! 

Mas sou realmente boa viajando. Encaro praticamente todos os desafios sem me irritar e sem implicar com tudo. Sou curiosa e gosto de me perder e me encontrar em cada cidade que vou. De conversar com estranhos nas ruas e cafés. Provo tudo com gosto e se não gostar, valeu a tentativa. Enfim, descobri também que em trânsito aquela minha ansiedade e angústia diminuem. 

Que só me sinto completa indo…

Passou um ano, fiz mais um mochilão pela América Latina: Sul da Bolívia, Norte do Chile e Norte da Argentina.

Quando voltei, em junho do ano passado, estava ainda mais insatisfeita por ter voltado. 

E toda essa história foi só para contar como cheguei aqui.

Não larguei tudo e fugi, como alguns acham. Até porque não era uma questão de largar, muito menos de fugir. Tentei planejar o máximo que deu, consegui uma (tão sonhada) licença no trabalho que me permite ainda ter emprego se voltar em até dois anos e fui…

E para onde?

Não sei exatamente…

No momento estou em Madrid me preparando para fazer o Caminho de Santiago antes de passar 4 meses estudando inglês em Malta.

E o que vem depois?

Não sei exatamente….

Também não sei qual minha intenção escrever neste blog. Se ele será de dicas de viagens, se das minhas impressões dos lugares por qual passar, se sobre minha experiência como intercambista em uma ilha paradisíaca no meio do Mediterrâneo ou se será somente um diário, uma forma de desabafar com o mundo.

Provavelmente uma mistura disso tudo…

Ou não.

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