Só eu acho baboseira esse negócio de “como foi seu ano”?!

No fim das contas todos nós fomos apenas medíocres (no sentido de mediano mesmo).

Uma viagem a mais, um sofrimento a mais, uma troca se emprego, um amigo novo, o ganho ou a perda de um amor.

No geral, só fizemos as mesmas coisas que fazemos todos os anos: levamos a vida do jeito que dá, sem sermos muito cruéis ou incompetentes demais, nem sendo tão bons ou alterando nossas vidas e nossos hábitos.

E o que é pior, sem alterar nossas perspectivas em bases reais para que o próximo ano seja realmente diferente.

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Agora as coisas estão quase certas.

Sei onde quero ficar, estou quase fechada com a escola e, muitíssimo mais importante, consegui uma licença no meu trabalho.

Claro, vendi minha alma e também tenho uma grana para me manter enquanto não arrumo um emprego.

Aí que vem a questão. Um misto de ansiedade e medo. Ansiedade que me deixa sorrindo sem motivo e pavor puro e simples.

Seria hipócrita de minha parte dizer que agora, ao ter tudo o que preciso para ir, não estou apavorada.

Me batem todas aquelas perguntas. Será que conseguirei ir? Será que conseguirei pegar rápido o idioma? Será que conseguirei um emprego? Será que me adaptarei?

Mas, sabe como é, se não sentisse medo, não seria tão bom.

E se deu medo, vai com medo mesmo, já que ele não tem o poder de paralisar…

Vícios

Sou uma pessoa de vícios.

Muitos.

Lugares. Caminhos. Comidas. Pessoas. Livros. Filmes. Músicas.

Acho que por isso nunca me arrisquei muito pelas drogas ilícitas.
Se sou capaz de ler tanto um mesmo livro que decorei trechos inteiros, o que não faria ao gostar de me entorpecer?!?!

Posso ouvir a mesma música repetidamente por um mês.
No momento, tenho escutado muito Tulipa Ruiz.
Muda a música, mas ela tem sido constante.

Começou com “Só Sei Dançar com Você”…

(Você me chamou pra dançar aquele dia
Mas eu nunca sei rodar
Cada vez que eu girava parecia
Que a minha perna sucumbia de agonia
E cada passo que eu dava nessa dança
Ia perdendo a esperança
Você sacou a minha esquizofrenia
E maneirou na condução)

Depois, “Desinibida”, que permeia tudo muito…

(Gosta de ter o dia livre
Tudo o que pinta satisfaz
Dormiu com todos os amigos
Sobreviveu a carnavais
Passa batido pelos casais
Desinibida, vai)

E, a mais clichê, “Efêmera”.

(Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho.

Martela o tempo pr’eu ficar mais pianinho
Com as coisas que eu gosto
E que nunca são efêmeras
E que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço.)

E, para juntar com os meus vícios, vejo música em tudo e em todos.

Fatos ocorridos, desejos escondidos, para tudo encaixo uma música.

Seria interessante encontrar alguém que conseguisse ler-me pelas minhas repetições musicais.

Quem saberia montar um quebra-cabeça com as mensagens escondidas em cada uma das letras e melodias que tocam infinitamente na minha cabeça?!